PREDICAÇÃO VERBAL EM ORAÇÕES COM PRONOME RELATIVO

É comum exigir do candidato a provas públicas a predicação do verbo em orações subordinadas adjetivas. Estas ocorrem em orações que trazem pronome relativo. São comuns pronomes relativos: que, qual, quem, cujo, onde. Estes conectivos são empregados para substituírem termos empregados antes. Por exemplo:

 

01. (FCC)

A popularidade de que goza a astronomia é muito maior do que aquela ( em que desfruta a astronomia ) .

* Nesta estrutura, a comissão exige que o candidato reconheça o uso indevido da preposição “em” antes do conectivo “que” antecedendo a flexão verbal  “desfruta”. É nítida a constante cobrança da preposição adequada antes de pronomes relativos. Portanto, você – atento candidato – ao se deparar com orações que tragam pronome relativo, deve demarcá-las inicialmente e, observando a regência de cada  verbo das orações mencionadas, reconhecer qual a preposição oportuna ou se não devemos usar conectivo prepositivo antes do pronome relativo em evidência. Não usaremos preposição, caso o verbo não exija preposição; empregá-la-emos antes do pronome relativo, caso o verbo assim imponha o uso. Na maioria das vezes a preposição do  verbo irá para antes do pronome relativo, se o pronome relativo for o complemento do verbo. Portanto, na estrutura frasal em estudo e que está entre parênteses, a forma correta é: A popularidade de que goza a astronomia é muito maior  do que aquela de que desfruta a astronomia. Perceba que o verbo DESFRUTAR libera a preposição “de”  ( e não a preposição “em” ). Partamos para análise de mais exemplificações de provas públicas:                

 

 

02. (FCC)

Se havia algo de que meu pai não suportasse era a desonestidade. ( forma incorreta )

Se havia algo que meu pai não suportasse, senhores, era a desonestidade. ( forma correta )                               

*  Retirei a preposição “de”, pois a flexão verbal “suportasse” não libera preposição em sua predicação. Logo, o pronome relativo é objeto direto.  O sujeito do verbo SUPORTAR é “meu pai”; o adjunto adverbial de negação é a palavra “não”; o objeto direto do verbo SUPORTAR é “que” ( representando “algo”). Por representar o conectivo “que” o termo anterior, ou seja, “algo”, temos o conectivo “que” como pronome relativo morfologicamente e, sintaticamente, objeto direto.

 

 

03 ( FCC)

A expressão COM QUE preenche corretamente a lacuna da frase:

 

A) As ficções, sobretudo as da meninice, _____ o autor tanto conviveu e se impressionou, marcaram-no para sempre.

 

B) O exemplo de “O Caçador de Pipas”, _____ devemos atentar, é um caso de particularismo cultural que imediatamente se universaliza.

 

C) A “mágica da ficção” é um efeito artístico ______ o autor, já em seus primeiros contatos com esse universo, demonstrou sua preferência.

 

D) As experiências da vida comum, _____ muita gente não atribui valor especial, revelam-se extraordinárias ao ganhar forma artística.

 

E) O entusiasmo ______ o autor demonstrou pelas ficções prova sua convicção quanto à verdade expressa pelas artes.

Resposta:  Letra A

 

O verbo CONVIVER pede a preposição “com”, assim como o verbo IMPRESSIONAR-SE também exige a preposição “com”.  Na letra B, a forma correta seria “a que” ( devemos atentar a algo ). Na letra C, a maneira prudente seria “a que” ( preferência a algo ). Na letra D, teremos para expressar a maneira correta a forma “a que” ( pois atribui  valor especial a algo ). Na letra E, o verbo DEMONSTRAR exige objeto direto. Portanto, nesta última alternativa, teremos que complementar a lacuna assim: “que” ( O entusiasmo que o autor demonstrou…).

 

Eis abaixo, caro estudante, mais algumas estruturas incorretas para seu estudo atento:

 

 

01. Os argumentos dos quais se prende o autor do texto incluem os que ele considera identificados com as chamadas “razões do coração”.

 

Forma correta: Os argumentos aos quais se prende o autor do texto incluem os que ele considera identificados com as chamadas “razões do coração”.  ( o autor se prende a algo ) 

 

02.  Admirar um romance de dostoievski, de cujo valor ninguém contesta, não exclui a possibilidade de se admirar o gênero policial.

 

Forma correta: Admirar um romance de Dostoiévski, cujo valor ninguém contesta, não exclui a possibilidade de se admirar o gênero policial. ( o verbo CONTESTAR não libera preposição ).

Obs.: Para se empregar corretamente o pronome relativo CUJO, há três critérios: não use artigo após o pronome CUJO e suas variantes; o pronome CUJO deve concordar nominalmente com o substantivo comum empregado após ( depois do pronome CUJO sempre haverá um substantivo comum, e é com esse substantivo que o pronome relativo CUJO deve concordar ). Por fim, se devemos usar ou não empregar preposição antes do pronome relativo CUJO, a regência da oração que apresenta o pronome relativo CUJO é quem vai nos posicionar.

 

03.  A pessoa cuja as ações aludimos chegou atrasada.                

 

 Forma correta:  A pessoa a cujas ações aludimos chegou atrasada.  ( o verbo ALUDIR libera a preposição “a”.  Devemos retirar o artigo após o pronome relativo CUJO e, por fim, esse pronome relativo deve concordar com o substantivo “ações” ).

 

PARTICULARIDADE DO PRONOME RELATIVO “ONDE

É comum afirmarem que a diferença entre “onde” e “aonde”  é que “onde” não indica movimento, e “aonde” indica movimento. Não é bem assim que devemos ler!  O “a” aglutinado à forma “onde” é justamente a preposição. Então, se houver necessidade do emprego da preposição “a”  na oração subordinada adjetiva( oração que sempre traz pronome relativo ), vinda da predicação verbal, que se desloque esse conectivo prepositivo para antes do pronome relativo “onde”.  Em  onde”, “aonde”, “donde” e “por onde” não há diferença.  Nas quatro exposições temos o único emprego da forma ONDE: só que nas três últimas exposições existem preposições em uso explícito.  Acompanhe os exemplos que seguem:    

 

01.  A casa onde irei é tranqüila.   

                   aonde

 

 *  “… aonde irei…”  é a forma correta, pois o verbo IR pede a preposição “a”, para constituir seu adjunto adverbial de lugar.

 

 

02. A casa aonde moro é tranqüila

                         onde

       *   Morar  não pede a preposição “a” .  Assim, como poderia usar “aonde” no exemplo acima? A forma correta é “… onde moro…”   Ressaltemos, inclusive, que podemos substituir “onde” por “em que” .  Morar solicita a preposição “em”. Como a preposição “em” está inclusa no pronome relativo “onde”,  reafirmamos que a substituição de “onde” por “em que” tem procedência.

  

          03.  A casa donde vim é tranqüila 

                              onde

 

             *  Quem  vem, caro leitor,  vem de  algum lugar. Então, “… donde  vim…”     é a forma correta.  Poderíamos  empregar “… por onde vim…” , pois quem vem, leitor amigo, vem por algum lugar, também.

 

 II – PREDICAÇÃO VERBAL TENDO COMO NÚCLEO DO OBJETO INDIRETO VERBO NO INFINITIVO

    Também é modismo em provas públicas -  seja da Esaf, do Cespe, da Cesgranrio ou da FCC – questões com o núcleo do objeto indireto constituído por verbos no infinitivo. Quando isso ocorrer, tenha consciência, caro leitor, que a preposição pode ser empregada também implicitamente. Vejamos exemplos, facultando-lhe o entendimento.

 

01. Necessito de solucionar o problema.

 

02. Necessito solucionar o problema.

 

* Em ambas exemplificações, há prudência gramatical. No primeiro exemplo, temos “de solucionar o problema” exercendo o valor sintático de objeto indireto. No segundo exemplo, temos “solucionar o problema” como objeto indireto. Se perguntarem a você, candidato, se o segundo exemplo está correto, afirme que SIM. E, gostaria de ressaltar que não há mudança na estrutura sintática, ou seja, continuamos com o uso de um objeto indireto. É que a preposição está empregada implicitamente. Temos, portanto, em elisão o conectivo prepositivo.      

 

03. Precisamos de voltar para nosso escritório. ( correto )

 

04. precisamos voltar para nosso escritório. ( correto )

 

05. Aspiro ser aprovado no concurso público. ( correto )

 

06. Aspiro a ser aprovado no concurso público. ( correto )

III – PREDICAÇÃO VERBAL TENDO OBJETO INDIRETO ORACIONAL COM CONJUNÇÃO SUBORDINADA INTEGRANTE. 

    Quando o objeto indireto for oracional, ou seja, estando diante de uma oração subordinada substantiva objetiva indireta, a preposição espontânea da transitividade indireta ( originada da palavra verbal que integra a oração principal ) é facultativa. Isto ocorre, haja vista já existir a conjunção que liga a oração principal à oração subordinada. Em verdade, existem dois conectivos: a preposição e a conjunção. Isto torna a preposição supérflua. Portanto, temo-la facultativa. Confira através de exemplificações.

 

01. Gostaria de que ela participasse. ( correto )

 

02. Gostaria que ela participasse   ( correto )

 

Observe, caro estudante, que “de que ela participasse” é o objeto indireto oracional de “Gostaria”. Portanto, a preposição “de” liga termo regente ( “Gostaria”)  ao termo regido ( “ de que ela participasse” ). Uma das funções da preposição é justamente esta: ligar termo regente a termo regido. Porém, em seguida há uma conjunção subordinada integrante. Esta conjunção está nas orações subordinadas substantivas, isto é, nas orações que exercem as funções de objeto direto, objeto indireto, complemento nominal, aposto, sujeito e predicativo. E, sendo a conjunção o conectivo que liga orações ou termos sintáticos iguais ( no caso em estudo, liga orações ), a supressão da preposição é viável, é oportuno também, pois continuaremos tendo um conectivo para ser elo entre os extremos. Assim, ao retirar a preposição “de”, ainda mantemos um conector para ligar o termo regente ( “Gostaria”) ao termo regido ( “ela participasse”).

 

03. Discordo que ela seja covarde. ( correto )

 

04. Discordo de que ela seja covarde. ( correto )

Lembrete: Este raciocínio não deve ser empregado com verbos que comprometam sua regência, por trazer pluralidade. Confira:

 

05. Esqueci-me de que ela é louca. ( correto )

 

06. Esqueci-me que ela é louca. ( incorreto )

EXERCÍCIO SOBRE PREDICAÇÃO VERBAL

Exercicio 01

 

Exercicio 02

Exercicio 03

 

Exercicio 04

 

 

Exercicio 05

 

Em relação ao texto acima, julgue o item a seguir:

 

(C-E) O emprego da preposição “de”, em “de quem comprá-los” (l.4-5), decorre da regência do verbo comprar

 

       GABARITO:

01.    E

02.    C

03.    C

04.    A

05.    Correto

 

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